121. Daniel (que eu não sei o sobrenome, se soubesse já tinha feito um B.O. na delegacia)
Essa é uma edição extraordinária e não-engraçada. Não costumo entrar aqui aos Domingos. Mas ontem uma moça foi estuprada. Uma câmera gravou o estupro. A menina dormindo, desmaiada. Não há consenso quando a outra parte está dormindo numa relação sexual. Não se discute isso. Foi estupro e foi gravado ao vivo, enquanto NINGUÉM da produção da Rede Globo de Televisão interferiu no que estava acontecendo. Então ocorreu estupro e omissão de socorro. Um crime e um delito.
Anteontem de madrugada houve uma prévia tentativa de assédio sexual. Mas a vítima estava consciente, o criminoso não conseguiu levar adiante o crime. Mesmo assim não foi questionado, não foi punido.
A discussão que eu ouço agora não é o questionamento do crime. Mas o merecimento da vítima: ela pediu. As roupas que ela usa provocam. Ela bebeu demais, mereceu. O velho cu de bêbado não tem dono. O uso da piada para justificar a violência. Até Boninho já declarou que o sexo foi consensual.
Seguinte: ela bebeu porque quis. Ela usou as roupas que quis usar. Você, meu amigo moralista, lide com isso. Ela só quis ontem beber. Só quis mostrar o corpo. Ela não quis sexo e esse criminoso fez o que ela não quis e não pediu - tudo exatamente no momento em que ela não podia reagir.
Mais do que não entender a covardia é não entender a discussão. Por que se discute tanto ainda? Por que essa dificuldade de enxergar uma violência tão clara?
Cansada de ver sempre a mesma coisa acontecer: a vítima ser vilanizada. Mas dessa vez tem a prova, tem o vídeo. Deixar esse cara se safar, não dar importância ao episódio é desvalorizar qualquer mulher: eu, você, sua mãe, sua irmã. 
É quase como dizer: olha, não dorme muito, porque tudo o que acontecer enquanto você estiver dormindo, não é violência.
@pranaopegar

121. Daniel (que eu não sei o sobrenome, se soubesse já tinha feito um B.O. na delegacia)

Essa é uma edição extraordinária e não-engraçada. Não costumo entrar aqui aos Domingos. Mas ontem uma moça foi estuprada. Uma câmera gravou o estupro. A menina dormindo, desmaiada. Não há consenso quando a outra parte está dormindo numa relação sexual. Não se discute isso. Foi estupro e foi gravado ao vivo, enquanto NINGUÉM da produção da Rede Globo de Televisão interferiu no que estava acontecendo. Então ocorreu estupro e omissão de socorro. Um crime e um delito.

Anteontem de madrugada houve uma prévia tentativa de assédio sexual. Mas a vítima estava consciente, o criminoso não conseguiu levar adiante o crime. Mesmo assim não foi questionado, não foi punido.

A discussão que eu ouço agora não é o questionamento do crime. Mas o merecimento da vítima: ela pediu. As roupas que ela usa provocam. Ela bebeu demais, mereceu. O velho cu de bêbado não tem dono. O uso da piada para justificar a violência. Até Boninho já declarou que o sexo foi consensual.

Seguinte: ela bebeu porque quis. Ela usou as roupas que quis usar. Você, meu amigo moralista, lide com isso. Ela só quis ontem beber. Só quis mostrar o corpo. Ela não quis sexo e esse criminoso fez o que ela não quis e não pediu - tudo exatamente no momento em que ela não podia reagir.

Mais do que não entender a covardia é não entender a discussão. Por que se discute tanto ainda? Por que essa dificuldade de enxergar uma violência tão clara?

Cansada de ver sempre a mesma coisa acontecer: a vítima ser vilanizada. Mas dessa vez tem a prova, tem o vídeo. Deixar esse cara se safar, não dar importância ao episódio é desvalorizar qualquer mulher: eu, você, sua mãe, sua irmã. 

É quase como dizer: olha, não dorme muito, porque tudo o que acontecer enquanto você estiver dormindo, não é violência.

@pranaopegar